A Herança Perdida




"E dê ao Imperador sua base e aos marujos sua pérola;
E dê aos pequenos sua parte e aos caridosos sua fortuna;
Mas não se esqueça, por favor, da lágrima dos repreendidos."
Agora vá.

Foram estas as palavras de meu grandioso pai antes de me ver partir.
Talvez eu devesse ter aprendido a valorizá-lo mais como instrutor, afinal, sua sagacidade era vasta como todas as campinas do Império Solar; lustrosa como raios de sol nascente no horizente.
Mas, por algum motivo, tinha insegurança apesar de seus conhecimentos. Era inseguro em relação à todos os seus dizeres, pois nunca gostara realmente de exprimir sentimentos em seus propósitos e discursos.

Até hoje não faço ideia se papai alguma vez já chorara.
Talvez tenha feito isso depois da minha ida pelo mundo afora.
De qualquer forma, isso não importa mais.

Pois tenho certeza de que no outro dia, ele já seria, novamente, o imponente e ilustríssimo prefeito da Cidade Milenar, seu eterno patrimônio. Ele morreria por aquela terra...
E agora eu faria parte de seu exército. Ajudaria-o de alguma forma. Era o seu último pedido; uma promessa de pai para filho, uma promessa mais profunda e precisa que as ondas dos Quatro Mares da Perdição, algo que traria os laços afetivos que um dia foram rompidos. Algo que estabelecesse uma relação de confiança; o recomeço de uma amizade.

Estava indo embora, então, daquela afável e pequena cidade. Mas, havia alguém também que começaria uma nova jornada.

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